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  • Hugo Oliveira

FAVELAS CONTRA O VÍRUS - Como as periferias vêm lidando com a pandemia de Covid-19.

SEM ROLÉ

O “Rolé dos Favelados” está suspenso por ora, anuncia, não sem tristeza, Cosme Felippsen, guia de turismo e morador do Morro da Providência. Idealizador do projeto que já levou cerca de 7 mil pessoas à mais antiga favela do Rio de Janeiro, ele teve que interromper o programa, logo que começaram as notícias sobre a chegada do novo coronavírus ao Brasil. Era preciso não sair às ruas, orientavam as autoridades sanitárias. #FiqueEmCasa, vibravam as hashtags nas redes sociais. O “Rolé” — um tour pela comunidade conduzido pelos próprios moradores, verdadeira aula a céu aberto sobre segurança pública, saneamento básico e cultura nas favelas — só poderá retornar quando passar o mau tempo. “Ferrou geral. Tenho um casal de filhos, não tenho dinheiro guardado”, imaginou. Na poupança, 0,24 centavos.

A aflição de Cosme, trabalhador autônomo nascido e criado na

Providência, não é muito diferente do sentimento da grande maioria de brasileiros nas periferias do Brasil hoje. De acordo com uma pesquisa realizada pelo DataFavela/Instituto Locomotiva, a pandemia já alterou a vida de 97% das 13,6 milhões de pessoas que moram em favelas. Com 1.142 entrevistas realizadas em 262 comunidades entre os dias 20 e 22 março, o levantamento revelou que apenas 19% dos entrevistados possuem contrato formal de trabalho — a grande maioria (47%) trabalha por conta própria ou é formada por profissionais liberais, sem contar os 10% que estão desempregados e os 8% que trabalham sem carteira assinada. “No desespero, comecei a pedir ajuda as pessoas”, diz Cosme — um amigo de Portugal lhe enviou 100 reais, outros tantos lhe emprestaram algum. Saiba mais: https://radis.ensp.fiocruz.br/index.php/home/reportagem/favelas-contra-o-virus

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